Um robô de mergulho descobriu nas profundezas abissais do oceano Pacífico uma série de pegadas enigmáticas que não correspondem a nenhum animal marinho conhecido, revela um estudo da Royal Society Open Science.

Enigmáticas huellas
As pegadas enigmáticas têm 2,5 m de comprimento e 33 cm de profundidade

A descoberta foi feita graças a um robô de mergulho que conseguiu fotografar algumas das 3.500 pegadas enigmáticas, com quase 2,5 metros de comprimento e 33 centímetros de profundidade. As imagens do sonar mostraram que essas impressões são distribuídas formando caminhos ligeiramente curvados.

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Distribuição das impressões no fundo do mar. Profundidade: 4023 m

“Não há evidência direta da causa das depressões. Não há mecanismo geológico conhecido para a formação de sequências curvilíneas de depressões pouco profundas em sedimentos”, dizem os autores do estudo.

Os cientistas sugerem que grandes animais vertebrados poderiam ter interagido com o fundo do mar a uma profundidade máxima de 4.258 metros em um passado geológico recente.

O enigma é descobrir que tipo de organismo conseguiu deixar marcas tão grandes. Animais que vivem nessas profundidades têm no máximo um metro de comprimento.

Os cientistas não imaginam que organismo abissal poderia deixar marcas com mais que o dobro de seu tamanho no sedimento do fundo.

Tampouco conseguem especular por que, mesmo como ninho, seria difícil explicar, já que a energia consumida seria demais para qualquer animal nessa profundidade.

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Detalhe do sonar de varredura lateral de alta freqüência

Este tipo de alterações geomorfológicas do fundo do mar tem sido observada nos oceanos, tanto nos tempos antigos como nos modernos, e há registros delas atribuídos a morsas, baleias jubarte ou baleias belugas, mas em profundidades menores.

Restos fósseis de baleias da família Ziphiidae, também conhecidos como zifias, foram encontrados em áreas abissais e, embora isso não explique que essas baleias chegaram a mergulhar nessas profundidades, os pesquisadores especulam que o autor das pegadas enigmáticas, possivelmente já extintos, foram algumas espécies dessa família.

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Baleia bicuda, da família Zifias

No entanto, “as baleias de mergulho profundo são difíceis de estudar e, embora os limites fisiológicos do mergulho sejam desconhecidos, é concebível que haja uma baleia capaz de atingir essas profundidades em nossos oceanos hoje”, dizem eles.

Os cientistas planejam conduzir investigações que expliquem a causa dessas pegadas enigmáticas no fundo do mar. Elas ajudarão na análise de DNA ou até mesmo em sensores conectados a baleias que monitoram as profundidades que elas podem alcançar.

Fonte: BLes

Categorias: Ciência

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